“CONTOS E CAUSUS”

Era 2005 e tínhamos acabado de mudar do Minas Centro para o Expominas, na Feira Nacional de Artesanato.

Estávamos fazendo diversas oficinas com artesãos de todo o Brasil, quando uma pessoa chegou perto de uma artesã do Vale do Jequitinhonha que estava trabalhando com o barro e pediu para ela: será que você faria um barco pra mim? Ela respondeu…não sei o que é um barco não senhor. Ele então retrucou…de onde você é? Ela respondeu – do Vale do Jequinhonha…e ele, Ué como vocês fazem para atravessar os rios de lá? Ela então disse…Olha moço, não sei de onde o senhor é, mas lá no Vale do Jequitinhonha, para atravessar o rio a gente usa é a ponte…

As historias do Vale são tantas que até me esqueço.

Uma vez numa das muitas avaliações de projetos, pedi as artesãs se podia deixar o gravador ligado, pois assim ficava mais fácil para depois eu fazer o relatório.

Um artesã de Chapada do Norte então disse: Ah Dona Taina (lá eles me chamam de Taina ao invés de Tãnia), a gente acha ótimo, pois estamos cansadas de vir a estas reuniões de avaliação e planejamento e ficar repetindo as mesmas coisa…assim, da próxima vez não precisa chamar a gente…é so escutar a fita que a senhora esta gravando, pois será a mesma coisa que dissemos há seis meses, três meses, hoje e com certeza daqui a 90 dias…

Outra historia de avaliação.

Estávamos numa avaliação de um projeto da Unesco, quando vi um artesão de Minas Novas sentado, meio amuado num canto. Cheguei ao lado dele e perguntei :

– e aí Seu Vicente, já deu a sua opinião sobre a avaliação do projeto que aconteceu aqui?

– Ele respondeu…ainda não.

Retruquei, mas o senhor não tem alguma coisa pra falar? Algo de bom, ou que tenha incomodado e o senhor gostaria que mudasse?

Ele disse: tenho sim, mas não quero levantar e falar pra todo mundo.

E eu: mas o que o senhor quer dizer…se quiser, fale comigo o que esta incomodando que eu falo em nome do senhor. Pode ser assim?

Ele me olhou de rabo de olho e então disse: Sabe, oces técnico da Capital come mais do que trabaia?

– Foi então que me dei conta de que no Vale, na maioria das vezes, as pessoas tinham naquela época somente uma refeição por dia e nos lá estávamos: 7:00 horas – Café da manhã, 10:00 horas lanche cheio de comida, 12:00 horas – almoço, 15:00 horas – outro lanche, 18:00 horas – jantar, 20:00 horas lá vinha mais um lanche…ou seja, eram 6 refeições por dia e ele não entendia porque tanta comilança…

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